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Corporate M&A, Venture Capital e Private Equity

Data da publicação - 02/03/2026

O Caminho do Brasil: Energia, Infraestrutura Digital e Perspectivas de M&A para 2026

Felipe Barreto Veiga
por: Felipe Barreto Veiga Sócio-fundador

Envolvidos:

Rafael Teixeira
Rafael Teixeira Sócio
Gabriel Mendes Abdalla
Gabriel Mendes Abdalla Sócio
Isabela Xavier
Isabela Xavier Sócia
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Artigo publicado no Chambers and Partners 

Desempenho em 2025 – forte investimento estrangeiro; atividade resiliente de M&A

Apesar de projeções inicialmente moderadas, o Brasil conseguiu atrair, ao longo de 2025, a atenção de compradores estratégicos, investidores e fundos de private equity. Esses agentes contribuíram para o que pode se tornar um recorde de entrada de investimento estrangeiro direto, segundo dados do Banco Central do Brasil, que acompanha esse fluxo desde a década de 1990.

Esse ambiente robusto de investimentos foi sustentado por um desempenho macroeconômico consistente. No momento da redação deste artigo, o Brasil caminha para encerrar 2025 com crescimento estável do PIB, baixa taxa de desemprego, fortalecimento da demanda interna e avanços graduais nas discussões sobre política fiscal. Incentivos fiscais direcionados apoiaram a expansão de setores prioritários, enquanto maior clareza regulatória reforçou a confiança dos investidores. Em conjunto, esses fatores aumentaram a resiliência do mercado diante de desafios políticos internos e choques externos, além de fomentar um ambiente transacional mais diversificado, incluindo joint ventures, instrumentos híbridos de financiamento, reestruturações societárias e movimentos de consolidação.

Ao mesmo tempo, temas estruturais como transição para energia limpa, digitalização, reforma tributária e modernização industrial ganharam maior relevância na agenda pública. A realização da COP30 no Brasil elevou essas prioridades no cenário internacional, conferindo novo impulso às políticas relacionadas. Além disso, o país avançou em negociações estratégicas com parceiros internacionais relevantes, incluindo o Acordo União Europeia–Mercosul e, mais recentemente, discussões com os Estados Unidos sobre tarifas aplicáveis a diversos produtos. Como resultado, apesar do ruído político e dos desafios orçamentários, o Brasil entra em 2026 com um nível de resiliência econômica e maturidade transacional que o diferencia de outros grandes mercados emergentes, impulsionado por grupos multinacionais e players locais de classe mundial em diversos setores.

Refletindo esse cenário favorável, a atividade de M&A em 2025 permaneceu relevante. O país manteve fluxo consistente de transações domésticas e inbound, impulsionadas por políticas industriais de longo prazo, demografia favorável e crescente demanda por infraestrutura digital e energética. Segundo a PwC, até setembro de 2025, foram concluídas 884 transações envolvendo compradores domésticos e 203 envolvendo adquirentes estrangeiros no Brasil. Os setores de telecomunicações, mídia e tecnologia concentraram 453 dessas operações, reafirmando seu papel central no cenário de M&A no país.

Perspectivas para 2026: setores líderes e tendências de transações

Em 2026, o Brasil está bem posicionado para continuar atraindo atenção internacional, sustentado por uma combinação de forças estruturais. Entre elas, destacam-se a possível redução das taxas de juros ao longo do exercício fiscal, uma matriz energética majoritariamente renovável, forte presença do agronegócio, ampla base de consumidores cada vez mais digitalizados e um ecossistema de inovação em evolução. Embora o ambiente operacional permaneça complexo, investidores experientes têm se apoiado em conhecimento local aprofundado para navegar o mercado de forma eficaz e gerar valor de longo prazo.

Alguns setores particularmente ativos em 2025 devem permanecer aquecidos em 2026:

  • Energia: leilões de transmissão, projetos de geração e a esperada liberalização do mercado varejista de energia elétrica têm atraído concessionárias, fundos de infraestrutura e investidores estratégicos.
  • Automotivo, baterias e mobilidade: o setor automotivo passa por transformação estrutural global, com investimentos em veículos elétricos, fabricação de baterias e ampliação de capacidade produtiva. Incentivos federais e estaduais ajudaram a posicionar o Brasil como potencial hub de mobilidade de próxima geração.
  • Tecnologia e software: a consolidação permanece intensa, com empresas de SaaS, plataformas de IA e provedores de cibersegurança buscando escala, integração vertical e expansão de portfólio.
  • Data centers e infraestrutura de nuvem: o regime REDATA fortaleceu o posicionamento do Brasil como hub regional de infraestrutura digital. Grandes provedores globais e investidores especializados expandiram operações, apoiados por incentivos fiscais, disponibilidade de energia renovável e maior clareza nas regras para exportação de serviços digitais. Nos próximos anos, o Brasil pretende consolidar-se como líder regional em processamento de dados, aproveitando sua infraestrutura elétrica e estabilidade jurídica.

A atividade de M&A no Brasil tem sido cada vez mais caracterizada por estruturas sofisticadas, due diligence aprofundada e planejamento de longo prazo. Apesar das pressões macroeconômicas globais, o mercado demonstrou resiliência e permanece atrativo para capital internacional. Espera-se que essa tendência continue em 2026, alinhada ao interesse de investidores estrangeiros em oportunidades estáveis e bem estruturadas em um ambiente global cada vez mais volátil.

Perspectivas para 2026: avanços regulatórios reforçando a confiança dos investidores

Clareza regulatória sempre foi prioridade — e também preocupação — para investidores internacionais. Desenvolvimentos recentes contribuíram para um ambiente mais previsível e competitivo, especialmente nos setores de transição energética e transformação digital.

No setor de transformação digital, um marco relevante foi a criação do REDATA, regime especial para data centers, que oferece incentivos fiscais para importação de equipamentos, mecanismos simplificados de compliance e requisitos ambientais mais claros. O modelo integra aspectos tributários, energéticos e de sustentabilidade, aumentando a atratividade do Brasil como destino de investimentos em data centers.

No setor de energia, a planejada liberalização do mercado varejista de energia elétrica até 2028 representa reforma estrutural significativa. A transição deverá ampliar o acesso dos consumidores ao mercado livre, estimular a concorrência e promover consolidação entre comercializadoras e geradoras. Essa expansão, combinada ao crescimento da base de energia renovável e da rede de transmissão, reforça o interesse dos investidores.

Na agenda de transição energética, iniciativas federais e estaduais de apoio à descarbonização industrial e à mobilidade elétrica também fortaleceram o posicionamento do país. Incentivos direcionados a fabricantes de veículos, baterias, semicondutores e componentes de tecnologia limpa atraíram players globais e facilitaram a expansão de capacidade, devendo ganhar ainda mais força à medida que sejam promovidos e consolidados.

2026 em síntese: momento positivo e oportunidades estruturais

Avanços regulatórios, melhoria das condições de negócios e pipeline relevante de investimentos estruturais sustentam a expectativa de mais um ano de operações estratégicas e orientadas ao longo prazo no Brasil.

A demanda por infraestrutura digital deve se intensificar, impulsionada pela expansão de data centers, serviços em nuvem, aplicações de IA e aumento do consumo de dados. O REDATA, combinado ao perfil competitivo da matriz renovável brasileira, continuará atraindo investidores globais de tecnologia e infraestrutura.

No setor de energia, a liberalização antecipada do mercado varejista pode estimular transações iniciais, incluindo reorganizações e consolidações entre comercializadoras, geradoras e desenvolvedoras de energia renovável. A liderança brasileira em projetos eólicos, solares e de biomassa, aliada ao cronograma consistente de leilões de transmissão, reforça sua posição como mercado-chave de investimentos em energia limpa.

A COP30 consolida e evidencia o protagonismo brasileiro em energia limpa. Compromissos para avançar políticas industriais de baixo carbono, expandir a geração renovável e acelerar a transição para além dos combustíveis fósseis elevaram as expectativas de um ambiente regulatório mais alinhado à agenda climática. Anúncios realizados durante a conferência, incluindo o chamado para um roteiro coordenado de redução de combustíveis fósseis e a nomeação de um “climate champion” da indústria automotiva, sinalizam que governo e indústria pretendem apoiar a adoção de tecnologias mais limpas. Para o mercado de M&A, esses movimentos devem impulsionar a demanda por ativos de energia renovável, infraestrutura de transmissão, plataformas de mobilidade elétrica e negócios ligados à bioeconomia. Assim, transações orientadas por critérios de sustentabilidade tendem a desempenhar papel ainda mais relevante no pipeline de 2026.

O realinhamento industrial também deve gerar oportunidades. Cadeias globais de mobilidade, manufatura avançada e semicondutores passam por reposicionamento, e o Brasil está preparado para capturar parte desse ciclo por meio de incentivos fiscais e estratégias de localização produtiva.

O Brasil entra em 2026 demonstrando capacidade de converter volatilidade em oportunidade. O resultado das eleições presidenciais pode acelerar esse processo. De todo modo, fundamentos setoriais sólidos, reformas em curso e ambiente regulatório mais previsível continuarão posicionando o país como uma das jurisdições mais atrativas para M&A entre os mercados emergentes.

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