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Propriedade Intelectual

Data da publicação - 11/02/2022

A importância das mulheres na ciência

A importância das mulheres na ciência

Hoje, dia 11 de fevereiro, é celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Esse dia foi instituído pela ONU em 2015 e celebrado pela primeira vez em 2016 visando incentivar uma participação igualitária na ciência[1]. Por sua relevância no incentivo à pesquisa, o BVA reuniu nomes de cientistas importantes por suas descobertas em suas respectivas áreas.

Dentre os destaques, podemos citar nomes importantes como a a física e química polonesa Marie Curie (1867-1934)[2] descobriu os elementos químicos Rádio e Polônio, a qual, em razão da contribuição histórica para a ciência. ganhou dois prêmios Nobel, um de Física e outro de Química, sendo a única pessoa a conseguir ganhar dois prêmios científicos de tal instituição.

Em âmbito nacional, podemos citar a médica brasileira Nise da Silveira (1905-1999)[3], que modificou radicalmente o tratamento das doenças psiquiátricas ao alinhar o conhecimento técnico ao seu lado humanitário, sobretudo ao se demonstrar contrária à utilizar os métodos cruéis até então usados nos tratamento, como eletrochoques, camisas de força e confinamento. Alternativamente, a médica – cujo legado inspira, até hoje, a criação de museus e instituições terapêuticas, enfrentou o preconceito e o machismo ao incentivar a expressão de seus pacientes por meio da arte, principalmente por meio da pintura e, além disso, a médica se destacou, à época, por instituir o tratamento com seus pacientes mediante o cuidado de vira-latas. Seu trabalho ainda inspirou o filme “Nise: O Coração da Loucura”, com direção de Roberto Berliner.

A matemática estadunidense Katherine Johnson (1918-2020)[4] foi responsável por calcular a trajetória da missão Apollo 11. Ela escreveu diversos artigos que ajudaram na corrida espacial promovida pelo país, sendo que foi a primeira mulher negra a ter a autoria reconhecida pela Nasa. Seu trabalho e sua batalha contra o racismo e o machismo, juntamente com o de suas amigas e colegas de trabalho Mary Jackson (1921-2005), primeira engenheira aeroespacial do que viria a ser a Nasa, e Dorothy Vaughan (1910-2008), primeira mulher negra a ser promovida a chefe de departamento na Nasa, foram contados no filme “Estrelas além do tempo”, de direção de Theodore Melfi.

A virologista e bióloga molecular Flossie Wong-Staal (1947-2020)[5] foi pioneira nos estudos do vírus HIV. Fez parte do time que identificou o vírus como causador da AIDS em 1983 e, em 1985, foi a primeira pesquisadora a clonar o HIV e gerar um mapa genético completo dele. Sua pesquisa foi essencial para o desenvolvimento de tratamentos cada vez melhores para os pacientes com AIDS, pois também foi a responsável pela descoberta das micro mutações no vírus, o que levou ao uso de coquetéis no tratamento.

Voltando ao âmbito nacional, podemos citar a física brasileira Márcia Barbosa (1960-)[6], especialista em mecânica e estatística, cujo estudo relacionado às águas e suas anomalias, bem como à possibilidade de resolver a escassez de água doce, vem ganhando destaque há muito tempo. Dentre outras conquistas, ela foi ganhadora de diversos prêmios, como a Medalha Nicholson e o Prêmio L´Oreal-Unesco-ABC para mulheres na ciência, além de fazer parte da Academia Mundial de Ciências e das sociedades americana e brasileira de física. Em 2020, a ONU a incluiu em lista de sete cientistas que moldaram o mundo.

Na atualidade, principalmente nas descobertas relativas ao desenvolvimento de medicamentos e técnicas relacionadas ao enfretamento da pandemia do covid-19, destacam-se: Katalin Karikó, Rosana Richtmann, Jaqueline de Jesus e Ester Sabino, além de diversas outras.

Certamente, se considerarmos que estamos diante de um ambiente no qual prevalece (ao menos deveria) um alto nível de educação e respeito e que, mesmo assim, representa um meio no qual, somente no Brasil, 90% das cientistas premiadas relataram ter sofrido machismo[7], o reconhecimento e as conquistas científicas dessas mulheres demonstram a necessidade de imposição de mecanismos legais que tenham como objetivo incentivar, cada vez mais, a participação das mulheres na ciência e na tecnologia.

Nesse contexto, em março de 2021, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 398/2018, que instituiu como Política estadual o incentivo da participação das mulheres nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, cujo texto propõe alterações relevantes na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (Lei 9.394/96) e na Lei de Inovação Tecnológica (Lei 10.973/04).

Além de promover um grande incentivo para o desenvolvimento da humanidade como um todo, a inovação pode gerar muitos ganhos às pessoas envolvidas em sua criação, sendo este um dos principais papeis da Propriedade Intelectual, que visa, dentre outros direitos, assegurar a exclusividade para exploração econômica daquilo que a passível de proteção enquanto patente, desenho industrial, direito autoral ou segredo de negócio, algumas das formas de proteção de PI.

Assim, espera-se que, em um país cuja desigualdade de gênero no mercado de trabalho é tão visível, cada vez mais, nossos e nossas representantes se encorajem cada vez mais para implementar mecanismos legais que possam aumentar a representatividade das mulheres na ciência e na tecnologia para que, assim, possamos conhecer novas Márcias, Nises e Jaquelines, de norte a sul do Brasil.

 

[1] https://news.un.org/pt/audio/2016/02/1162841

[2] https://super.abril.com.br/historia/marie-curie-a-polonesa-mais-brilhante-do-mundo/ e https://exame.com/ciencia/17-frases-de-marie-curie-para-entender-mais-sobre-a-vida-e-a-ciencia/

[3] http://www.ccms.saude.gov.br/nisedasilveira/uma-psiquiatra-rebelde.php e https://saude.abril.com.br/coluna/tunel-do-tempo/voce-precisa-conhecer-a-historia-de-nise-da-silveira/

[4] https://www.nasa.gov/content/katherine-johnson-biography, https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2021/02/katherine-johnson-conheca-historia-da-matematica-da-nasa-em-6-imagens.html e https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/02/24/katherine-johnson-matematica-negra-que-ajudou-a-nasa-a-ir-para-a-lua-morre-aos-101-anos.ghtml

[5] https://ccr.cancer.gov/news/article/in-memoriam-flossie-wong-staal-phdhttps://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(20)30645-9/fulltext  e https://www.blogs.unicamp.br/cienciapelosolhosdelas/2020/07/03/flossie-wong-staal-descoberta-hiv-aids-quadrinhos/

[6]https://news.un.org/pt/story/2020/02/1703791 e https://www.abc.org.br/membro/marcia-barbosa/

[7]https://www.em.com.br/app/noticia/ciencia/2020/10/18/interna_ciencia,1195747/90-das-cientistas premiadas-do-brasil-relatam-machismo.shtml

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